Regiões: NORTE E NORDESTE. Perda de Alunos nas Escolas Católicas: Lançamento confirmado para 17 de setembro!

7 minutos para ler

Perda de Alunos nas Escolas Católicas – algumas variáveis explicativas e o que fazer a respeito, a mais nova obra do Dr. Sebastião V. Castro (Diretor e co-fundador do Axis Instituto), foi lançada na Região Sudeste no dia 27 de agosto pelo Canal do Youtube.

O Lançamento Online da obra teve como dinâmica uma Roda de Conversa com a presença do autor e das(os) convidadas(os): Irmã Andrea dos Santos (Provincial das Irmãs Discípulas de Jesus Eucarístico), Irmã Edna Maria Furtado Rodrigues (Diretora Geral da Rede Mercês de Educação), Márcio Moreira, Me (Diretor do Axis Instituto) e Adilson Souza, Msc (Superintendente do Axis Instituto).

No encontro, o autor, traçando um rápido panorama, mencionou que o livro nasceu das observações de trabalhos realizados pelo AXIS INSTITUTO com centenas de escolas católicas do Brasil. Percebeu-se uma situação comum entre os colégios que tem resultado numa perda gradativa de alunos ao longo dos últimos 40/50 anos levando, infelizmente e inclusive, ao fechamento de muitas unidades educacionais (colégios católicos). E, muitas vezes, não é tão somente o fechamento, mas a redução do número de alunos; quando não revitalizada, a escola acaba por fechar. E esta perda é muito grande, tanto do ponto de vista acadêmico (porque se perde a oportunidade de se estudar com a qualidade característica da formação católica) como também da perda dos valores, dos princípios, da ética, da fraternidade, que pode significar, ao longo do tempo, uma ruptura profunda no tecido da sociedade brasileira. Preocupado com isto, o livro foi escrito para provocar debates e reflexões nas Congregações e na Igreja, e estimular a troca de experiências com vistas a uma revisão dos processos, da gestão e dos paradigmas gerenciais e administrativos dessas escolas. O ritmo desses processos de revisão precisa ser mais acelerado, para que as escolas consigam se empoderar, se fortalecer e permanecer no mercado.

Após as considerações iniciais da Irmã Andrea e Irmã Edna, Adilson Souza refletiu, com o grupo, sobre um estudo de julho de 2020, que apontou a evasão educacional de mais de 500 mil jovens e a perda estimada de mais de R$ 214 bilhões no Brasil pela não conclusão do ensino básico por esses milhares de jovens. Além destas perdas, perguntou Adilson, quais outras poderiam ser computadas pelas escolas católicas dado que os valores de família, de afetividade, caráter e espiritualidade não foram contemplados neste estudo? Sebastião Castro argumentou que pesquisas tendem a mostrar dados mais quantitativos, um ângulo da questão. No livro, ele traz a importância de se ver outras facetas, para além dos números; a visão educacional reduz a educação ao ensino de conteúdo. Educação é mais do que este ensino; é relação, construção, troca, parceria (escola, família, aluno, professor). Por isso uma escola católica não pode ser categorizada como uma empresa, é algo mais amplo, como uma instituição formadora. E por isso as perdas, comparando com os dados quantitativos desta pesquisa, são bem maiores.

Ir. Andrea dos Santos destacou o uso frequente, pelo autor, das palavras: anacrônico, anacronismo e descompassado, em partes da obra, e que tal uso lhe despertou um sentimento de desestabilidade, de que está ‘correndo contra o tempo’, esforçando-se para alinhar o passo institucional ao passo de mercado. Sebastião Castro reforçou o profundo respeito pelas(os) religiosas(os), pelas escolas católicas e pelas Congregações ao longo do conteúdo proposto na obra, e que estes termos usados tiveram o intuito de procurar ‘desinstalar’ algumas estruturas mentais rígidas existentes. E, conhecendo mais de 400 colégios católicos (no Brasil e em outros países), Castro acredita que cerca de 80% destes colégios são anacrônicos, infelizmente. Perderam o compasso do tempo; estão cercados de várias questões que vão desde os prédios antigos e, eventualmente, deteriorados, até a gestão. Mesmo com toda a experiência educacional riquíssima das(os) religiosas(os) nas escolas católicas faltam, nas congregações, apenas para exemplificar uma das lacunas observadas, manuais de métodos para registro do conhecimento e da forma de se “fazer educação”. Percebe-se que isto tem acontecido (de modo geral) com as escolas católicas; há uma perda grande de conhecimento, de experiência de vida por não registrar, o que nos deixa bastante angustiados, complementa Castro.

Para Ir. Edna Maria, a contraposição da importância do leigo e o ‘alerta’, apontado no livro, da sua presença nas instituições católicas traz pontos relacionados às fraudes que acontecem nas congregações, nas escolas e em outros âmbitos que envolvem as(os) religiosas(os). Neste tema, a Irmã pergunta ao autor se a ocorrência dessas fraudes pode estar relacionada à inocência, a impotência ou ao medo de tomar algumas medidas, por parte das religiosas. Sebastião afirma que este tema muito o incomoda, pois a prática de roubar das(os) religiosas(os) afeta diretamente os pobres, as crianças necessitadas e demais que contam com o trabalho social das religiosas. Em sua outra obra “Gestão de Pessoas em Instituições Confessionais” o autor detalha as características que podem ser observadas para esta situação das fraudes, como ingenuidade, uma dificuldade de fazer uma ‘leitura’ mais profunda das pessoas, dentre outros. Castro enfatiza que governança Institucional tem como um dos seus objetivos evitar que tais coisas aconteçam: desvio de dinheiro, fraudes, mau uso dos recursos, desvios da missão (sem considerar o carisma da instituição). Castro afirma que trabalhar a Governança Institucional é importante para as Províncias, alinhadas ao Governo Geral, para que haja um processo de gestão mais protegido contra as fraudes.

Márcio Moreira reflete sobre o tema da Identidade, o qual o autor menciona, no livro, com algumas ‘pistas’ de como trabalhar a Identidade nas instituições católicas. Castro esclarece que há alguns anos tem sido feito, pelo Axis, um trabalho de resgate desta Identidade nas Congregações, para a criação de um manual de identidade; um reavivamento dos traços identitários, que podem ser tangíveis e intangíveis. Como exemplo, o uso do hábito em algumas congregações é um traço identitário tangível. Já os símbolos e termos usados, como “respeito”, “acolhida”, “fraternidade”, são traços identitários intangíveis. Esses elementos são apresentados para a instituição para reflexão e re-significação para os dias atuais. “Se você não sabe quem você é, fica muito mais difícil você achar seu lugar no mundo” (Castro).

Outras importantes e ricas colocações foram apresentadas na Roda de Conversa. Confira o encontro completo no nosso Canal do Youtube: https://youtu.be/cnbU4mIkxlE.

“Quem olha para fora, sonha. Quem olha para dentro, acorda.”
(Carl Jung)

A Roda de Conversa, também presente no próximo lançamento, poderá proporcionar aos participantes interessados, uma amplitude maior da obra e a partilha de experiências. 

Queremos te convidar, leitor(a), para o Lançamento Regional: Norte e Nordeste, no dia 17 de setembro/2020 às 10h no nosso Canal do Youtube: AxisInstituto. O evento é online e gratuito e será enriquecido com a sua presença. Até lá!

Equipe de Comunicação do AXIS

Posts relacionados