{"id":33162,"date":"2022-12-07T08:00:28","date_gmt":"2022-12-07T11:00:28","guid":{"rendered":"https:\/\/www.axisinstituto.com.br\/blog\/?p=33162"},"modified":"2025-07-15T16:00:46","modified_gmt":"2025-07-15T19:00:46","slug":"evolucao-lideranca-humanidade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.axisinstituto.com.br\/blog\/evolucao-lideranca-humanidade\/","title":{"rendered":"A evolu\u00e7\u00e3o da lideran\u00e7a na humanidade"},"content":{"rendered":"\t\t
(Por Pe. Zilmo Jota dos Santos)<\/p>\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t
A lideran\u00e7a<\/strong> \u00e9 um t\u00f3pico questionado na contemporaneidade. Mas \u00e9 importante desde os prim\u00f3rdios at\u00e9 o contexto contempor\u00e2neo? Era um conceito conhecido? Haveria um l\u00edder que levava sua equipe a patamares antes n\u00e3o vislumbrados? Nem sempre a lideran\u00e7a foi compreendida da maneira como \u00e9 atualmente.<\/p> Por isso, o presente trabalho intitulado: A evolu\u00e7\u00e3o da lideran\u00e7a na hist\u00f3ria da humanidade<\/strong> <\/em>e sua utiliza\u00e7\u00e3o como mecanismo estrat\u00e9gico nas organiza\u00e7\u00f5es, tem como objetivo pesquisar se havia presen\u00e7a da lideran\u00e7a em fases diferentes do desenvolvimento da humanidade<\/strong> e identificar sua utiliza\u00e7\u00e3o enquanto aparato estrat\u00e9gico em qualquer \u00e2mbito.<\/p> \u00c9 importante compreender esse aspecto, para que se consiga delinear ou projetar os rumos desse relevante conceito e consideravelmente bem discutido nos dias de hoje na academia, nas organiza\u00e7\u00f5es e nas institui\u00e7\u00f5es. A pesquisa \u00e9 descritiva, cujo principal objetivo \u00e9 a caracteriza\u00e7\u00e3o de um fen\u00f4meno e de car\u00e1ter indutivo. Para tanto, foi realizado um levantamento bibliogr\u00e1fico no que se refere a esse assunto.<\/p> Pode-se perceber que em cada etapa da evolu\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica do homem, a lideran\u00e7a esteve presente: enquanto homin\u00eddeos, nos muitos imp\u00e9rios, enquanto civiliza\u00e7\u00f5es e nas atuais organiza\u00e7\u00f5es como chefes. Para isso, deve-se perpassar pelos momentos hist\u00f3ricos e enfim pensar na lideran\u00e7a enquanto estrat\u00e9gia em qualquer \u00e1rea do desenvolvimento humano nos dias atuais.<\/p>\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t Entender o que \u00e9 lideran\u00e7a, exige compreender o l\u00edder como integrante que se sobressai perante os outros em quesitos de coordena\u00e7\u00e3o. Desde os prim\u00f3rdios da humanidade, h\u00e1 dois milh\u00f5es de anos, os seres quase humanos, ou homin\u00eddeos, habitavam o planeta em quase toda sua extens\u00e3o. Andavam eretos e com seus utens\u00edlios rudimentares se alimentavam de nozes, frutas, plantas e pouca carne. Embora suas caracter\u00edsticas fossem arcaicas, percebeu-se que aquelas comunidades se desenvolviam quando trabalhavam em conjunto e quando haviam outros liderando o grupo (BLAINEY, 2012).<\/p> Com o passar do tempo houveram mudan\u00e7as no territ\u00f3rio. A l\u00edngua e escrita se desenvolveram e novos passos foram al\u00e7ados. O estabelecimento de uma sociedade pautada em princ\u00edpios naturais foi se estruturando. Como um n\u00famero vasto de pessoas em um mesmo local alcan\u00e7aria a ordem? A lideran\u00e7a se fazia presente nas civiliza\u00e7\u00f5es. Consoante Bennis (1998, p. 05) \u201cassim como o amor, a lideran\u00e7a continuou a ser algo que todos sabiam que existia, mas ningu\u00e9m podia definir.”<\/p> Na Gr\u00e9cia antiga se observava a preocupa\u00e7\u00e3o com a forma\u00e7\u00e3o dos l\u00edderes pol\u00edticos, como ressaltado na obra de Fiedler (1967). Segundo este autor<\/p> “A preocupa\u00e7\u00e3o com a lideran\u00e7a \u00e9 t\u00e3o antiga quanto a hist\u00f3ria escrita: A rep\u00fablica de Plat\u00e3o constitui um bom exemplo dessas preocupa\u00e7\u00f5es iniciais ao falar da adequada educa\u00e7\u00e3o e treinamento dos l\u00edderes pol\u00edticos, assim como da grande parte dos fil\u00f3sofos pol\u00edticos que desde essa \u00e9poca procuraram lidar com esse problema” (FIEDLER, 1967, p. 3).<\/em><\/p><\/blockquote> Assim como na Gr\u00e9cia, nas terras do Egito \u00e0s margens do rio Nilo, a cerca de 2000 anos antes de Cristo, j\u00e1 se via uma sociedade organizada<\/strong> a ponto de construir um monumento como as pir\u00e2mides, que hoje atrai turistas de todo o mundo pela sua beleza, majestade e complexidade para o povo daquela \u00e9poca. A sociedade era organizada com um fara\u00f3 no poder, que de t\u00e3o importante comandava at\u00e9 a marca\u00e7\u00e3o do tempo. \u201cMuito cedo se habituaram [eg\u00edpcios] a decompor o tempo de acordo com os anos de reinado do fara\u00f3 no poder\u201d (DESPLANCQUES, S.A, p. 22).<\/p> O fen\u00f4meno mais intrigante do in\u00edcio do primeiro mil\u00eanio da era crist\u00e3, foi a presen\u00e7a de um judeu chamado Jesus Cristo<\/strong>. N\u00e3o era sua estatura, sua origem ou sua intelig\u00eancia que chamavam aten\u00e7\u00e3o, entretanto o seu discurso e capacidade de promover a integra\u00e7\u00e3o<\/strong>, sobressa\u00edam a todos os outros adjetivos. No pr\u00f3prio livro do Evangelista Mateus2, um coletor de impostos da \u00e9poca, \u00e9 evidenciado a capacidade de l\u00edder, de conquistar pessoas, instruir e guiar daquele mesmo judeu.<\/p>\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t Foto: Jesus sentado a mesa com os ap\u00f3stolos.<\/p>\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t J\u00e1 no per\u00edodo da Idade M\u00e9dia, a Igreja Cat\u00f3lica<\/a> se destacou como uma institui\u00e7\u00e3o em expans\u00e3o, foi um per\u00edodo cuja \u201cvis\u00e3o fortemente hier\u00e1rquica de mundo, com sua arte voltada para o elemento sagrado e com sua filosofia a servi\u00e7o da teologia e da problem\u00e1tica religiosa\u201d (MARCONDES, 1998, p.141) conseguia influenciar grande parte da popula\u00e7\u00e3o daquele per\u00edodo.<\/p> No fim do per\u00edodo medieval se sobressaiu o movimento Renascentista que rompia com as ideias medievais. Tratava-se de um movimento \u201c[…] voltado para o homem, o homem comum florentino, artes\u00e3o, art\u00edfice, cidad\u00e3o, e n\u00e3o o senhor feudal medieval ou o alto dignit\u00e1rio da Igreja\u201d (MARCONDES, 1998, p. 143). A influ\u00eancia do catolicismo come\u00e7ava a ser minada por pensamentos que descentralizavam a figura de Deus e colocava o homem como medida de todas as coisas (MARCONDES, 1998).<\/p> \u00c9 nesse \u00ednterim que surge o pensamento de Nicolau Maquiavel (1527) cujo desejo pela vida pol\u00edtica era intenso, fazendo dele um aristocrata. Para ele, a lideran\u00e7a traduzia-se na pol\u00edtica que comandava os estados. Segundo Maquiavel (2017)<\/p> “Os estados que s\u00e3o governados por um pr\u00edncipe e por servos t\u00eam o seu pr\u00edncipe com mais autoridade, porque em toda a sua prov\u00edncia n\u00e3o existe homem que reconhe\u00e7a algu\u00e9m a n\u00e3o ser ele por superior; e se obedecem a algum outro, fazem-no como a ministro e funcion\u00e1rio, ao passo que a ele t\u00eam um amor particular (MAQUIAVEL, 2017, p.111).”<\/em><\/p><\/blockquote> Desse modo, as ideias relacionadas ao poder caracterizam-se por regulamentar a ordem entre os s\u00faditos e o governante, uma vez que o poder em si mesmo \u00e9 o objetivo da a\u00e7\u00e3o pol\u00edtica. Pode-se compreender o papel fundamental da lideran\u00e7a<\/a> tamb\u00e9m nessa fase.<\/p> Um outro expoente que surgiu na modernidade foi Ren\u00e9 Descartes (1650), que em sua obra Medita\u00e7\u00f5es Metaf\u00edsicas (1983), na sexta medita\u00e7\u00e3o, afirma que o pensar \u00e9 a ess\u00eancia do existir. Por isso se deve negar todas as coisas, duvidar de tudo, para ent\u00e3o construir novamente. H\u00e1 uma mudan\u00e7a de paradigmas<\/a> nessa fase: em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 cren\u00e7a em um criador, na f\u00e9 em institui\u00e7\u00f5es, e principalmente na liberdade do pensamento.<\/p> S\u00e3o pontos salvaguardados pelo racioc\u00ednio l\u00f3gico de um fil\u00f3sofo, f\u00edsico e matem\u00e1tico que colocou todas as coisas em \u201csuspens\u00e3o\u201d, deixando a d\u00favida como instrumento de constru\u00e7\u00e3o do pensamento. Assim o l\u00edder seria aquele que tivesse o pensamento livre e o intelecto sem qualquer influ\u00eancia.<\/p> No mundo contempor\u00e2neo a lideran\u00e7a se esbarra em um novo entrave: a lideran\u00e7a como imposi\u00e7\u00e3o e a lideran\u00e7a enquanto habilidade de gerir uma equipe, sendo participante ativa em todos os processos<\/strong>. Para o autor Robbins (2002, p. 304) a \u201clideran\u00e7a \u00e9 a capacidade de influenciar um grupo em dire\u00e7\u00e3o ao alcance de objetivos.\u201d Por ser um elemento fundamental no desenvolvimento de uma equipe<\/strong><\/a>, \u00e9 mister que o l\u00edder seja bem aceito pela comunidade cuja representatividade se d\u00e1 em sua pessoa.<\/p> \u00a0<\/p> Presb\u00edtero da Arquidiocese de Montes Claros-MG. Atualmente exerce a fun\u00e7\u00e3o de Ec\u00f4nomo Arquidiocesano.A Lideran\u00e7a na Hist\u00f3ria<\/h2>\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t
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Sobre o autor (Pe. Zilmo Jota dos Santos):<\/em><\/h3>
Representante dos Presb\u00edteros da Arquidiocese de Montes Claros. Professor da disciplina Administra\u00e7\u00e3o Paroquial no Semin\u00e1rio Maior Imaculado Cora\u00e7\u00e3o de Maria (Montes Claros-MG). \u00c9 licenciado em Filosofia pelo Centro de Ensino Superior do Brasil – CESB Teologia pelo Semin\u00e1rio Maior Imaculado Cora\u00e7\u00e3o de Maria da Arquidiocese de Montes Claros. P\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o lato sensu em Gest\u00e3o Eclesial no Instituto Santo Tom\u00e1s de Aquino (ISTA). P\u00e1roco da Par\u00f3quia S\u00e3o Jos\u00e9 Oper\u00e1rio em Montes Claros MG.<\/p>\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t
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