{"id":32277,"date":"2022-07-29T08:00:00","date_gmt":"2022-07-29T11:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.axisinstituto.com.br\/blog\/?p=32277"},"modified":"2022-08-11T15:44:50","modified_gmt":"2022-08-11T18:44:50","slug":"lideranca-escolas-cenario-mudancas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.axisinstituto.com.br\/blog\/lideranca-escolas-cenario-mudancas\/","title":{"rendered":"Lideran\u00e7a nas escolas em um cen\u00e1rio de mudan\u00e7as"},"content":{"rendered":"\n
(Por Maria das Gra\u00e7as Drumond Andrade)<\/p>\n\n\n\n
Vivemos um momento \u00fanico na educa\u00e7\u00e3o. Nunca na hist\u00f3ria de nossa sociedade, n\u00e3o s\u00f3 no Brasil, mas tamb\u00e9m em todo mundo, se falou e se discutiu tanto sobre a educa\u00e7\u00e3o<\/strong> e, consequentemente, sobre a escola, institui\u00e7\u00e3o respons\u00e1vel pela educa\u00e7\u00e3o formal no mundo contempor\u00e2neo.<\/p>\n\n\n\n Desde o final do s\u00e9culo passado esta discuss\u00e3o se coloca. A UNESCO<\/a>, perante os m\u00faltiplos desafios suscitados pelo processo de globaliza\u00e7\u00e3o, da queda do muro de Berlim, do fim do socialismo, da expans\u00e3o do modelo neoliberal, dos avan\u00e7os tecnol\u00f3gicos<\/a><\/strong>, dos meios de comunica\u00e7\u00e3o (internet)<\/strong>, das tecnologias digitais<\/strong> e pelas mudan\u00e7as cada vez mais r\u00e1pidas, reuniu uma comiss\u00e3o de pesquisadores, de diversas partes do mundo, afim de tra\u00e7ar um eixo que conduzisse para a educa\u00e7\u00e3o do s\u00e9culo XXI. <\/p>\n\n\n\n O trabalho resultou num relat\u00f3rio intitulado Educa\u00e7\u00e3o, um tesouro a descobrir (1993). Os Quatro Pilares da Educa\u00e7\u00e3o, aprender a conhecer, aprender a fazer, aprender a ser e aprender a conviver<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n Segundo Delors, \u201ca educa\u00e7\u00e3o surge como um trunfo indispens\u00e1vel \u00e0 humanidade na sua constru\u00e7\u00e3o dos ideais da paz, da liberdade e da justi\u00e7a social\u201d<\/em>. O Brasil vivia o processo de redemocratiza\u00e7\u00e3o, diante do novo cen\u00e1rio, elabora uma nova Lei de Diretrizes e Base (1996), novas Diretrizes Curriculares Nacionais<\/strong> (1997) que t\u00eam como refer\u00eancia o documento da UNESCO (quatro pilares da Educa\u00e7\u00e3o) e os Par\u00e2metros curriculares nacionais (1998). A escola no Brasil, teve, neste momento, a sua grande oportunidade de mudan\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n Vinte anos depois, o que mudou realmente? Muito pouco. As escolas, na verdade, em sua grande maioria preferiram permanecer entre seus muros, protegidas, resistindo \u00e0s transforma\u00e7\u00f5es<\/a> e distanciando-se cada vez mais do mundo real e de seu p\u00fablico alvo, crian\u00e7as e adolescentes \u201cligados\u201d na nova era das redes sociais, dos jogos eletr\u00f4nicos, da gamifica\u00e7\u00e3o. Para Peter Senge (2005) a grande mudan\u00e7a hist\u00f3rica \u00e9 a elimina\u00e7\u00e3o do monop\u00f3lio da escola sobre o fornecimento de informa\u00e7\u00f5es. Para ele h\u00e1 cem anos, as crian\u00e7as pouco sabiam do que estava acontecendo no mundo mais amplo. <\/p>\n\n\n\n Atualmente, as crian\u00e7as e os adolescentes, t\u00eam, pelo menos, tanto acesso ao conhecimento quanto seus pais e professores. Al\u00e9m disso, as tecnologias da m\u00eddia, como computadores, videogames e internet proporcionam uma mistura de divertimento e aprendizagem que as salas de aula n\u00e3o conseguem igualar: s\u00e3o controladas pelo aprendiz, est\u00e3o dispon\u00edveis quando o aprendiz est\u00e1 pronto e est\u00e3o espalhadas em redes de interesses m\u00fatuos entre amigos. <\/p>\n\n\n\n E novamente, diante dos resultados das escolas brasileiras nos exames nacionais (Enem, Prova Brasil, Saeb) e internacionais (PISA), que confirmam que a educa\u00e7\u00e3o brasileira pouco avan\u00e7ou, o governo resolve intervir buscando provocar a mudan\u00e7a que at\u00e9 ent\u00e3o n\u00e3o aconteceu. Para isto cria-se a BNCC (Base Nacional Curricular Comum)<\/strong> e a Proposta de Reforma do novo Ensino M\u00e9dio (LEI N\u00ba 13.415\/2017).<\/p>\n\n\n\n Uma quest\u00e3o se coloca para os que est\u00e3o \u00e0 frente das institui\u00e7\u00f5es de ensino: construir uma nova escola<\/strong>, em que haja espa\u00e7o para constru\u00e7\u00e3o da autoria, da autonomia, da cidadania<\/strong>. Uma escola onde se resgate a cren\u00e7a de que \u00e9 poss\u00edvel aprender e ensinar. Uma escola em que se exercite a democracia<\/strong>, em que se trabalhe em redes colaborativas, em que se pratique a solidariedade, em que se formem l\u00edderes capazes de promover a justi\u00e7a social<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n Uma escola aprendente, alinhada com o seu tempo, em que as pessoas aprendem continuamente a aprender em grupo, a vivenciarem as mudan\u00e7as, a estabelecerem objetivos cada vez mais altos e a usar novos e elevados padr\u00f5es de racioc\u00ednio.<\/p>\n\n\n\n Esta escola s\u00f3 ser\u00e1 poss\u00edvel se tivermos um diretor(a)-gestor(a) capaz de exercer a lideran\u00e7a educacional<\/strong> para que se saia de uma escola estagnada para uma escola em movimento. Um(a) gestor(a) capaz de romper com a concep\u00e7\u00e3o organizativa que acentuava a divis\u00e3o t\u00e9cnica do trabalho, do in\u00edcio do s\u00e9culo passado, fordista-taylorista. Estrutura esta em que o diretor ou diretora, auxiliado por uma supervisora, \u00e9 algu\u00e9m que exerce o controle f\u00e9rreo sobre o corpo docente e discente n\u00e3o precisando, para isto, ter grande conhecimento das quest\u00f5es pedag\u00f3gicas<\/strong>, de gest\u00e3o de pessoas<\/a><\/strong>, de gest\u00e3o estrat\u00e9gica<\/strong>. Segundo o Prof. Rud\u00e1 Ricci (1989) nesta concep\u00e7\u00e3o:<\/p>\n\n\n\n \u201co diretor da escola e toda a sua equipe de apoio assumiram fun\u00e7\u00f5es de controle sobre o trabalho do professor, fiscalizando hor\u00e1rio, respeito \u00e0s normas de preenchimento de di\u00e1rios e outros documentos de controle de desempenho, atrasos na execu\u00e7\u00e3o do programa curricular e, em alguns casos, at\u00e9 mesmo o desempenho extrasala. Na verdade, tal procedimento traduz-se numa evidente subvers\u00e3o pol\u00edtica e funcional; as atividades meias, de apoio \u00e0 pr\u00e1tica pedag\u00f3gica, passando a dirigir a atividade fim, o exerc\u00edcio de educar.\u201d<\/p><\/blockquote>\n\n\n\n O que se observa, hoje, \u00e9 que estamos no in\u00edcio de uma nova era <\/strong>e muitas escolas ainda se encontram, cautelosamente, agarradas ao passado, que n\u00e3o est\u00e1 somente na sala de aula, mas, que se inicia no processo de gest\u00e3o<\/strong> e chega \u00e0 gest\u00e3o da sala de aula. Mas faz-se urgente mudar. A escola deve estar conectada \u00e0 sua \u00e9poca. Assim, s\u00e3o grandes os desafios que se colocam no momento, em um cen\u00e1rio em que, segundo Ot\u00e1vio Ianni (2004) a educa\u00e7\u00e3o institucionalizada se apresenta cada vez mais adaptada \u00e0s transforma\u00e7\u00f5es da sociedade liberal:<\/p>\n\n\n\n Tudo o que diz respeito \u00e0 educa\u00e7\u00e3o passa a ser considerado como uma esfera altamente lucrativa de aplica\u00e7\u00e3o do capital; o que passa a influenciar decisivamente os fins e os meios envolvidos; de tal modo que a institui\u00e7\u00e3o de ensino, n\u00e3o s\u00f3 a privada como tamb\u00e9m a p\u00fablica, passa a ser organizada e administrada segundo a l\u00f3gica da empresa, corpora\u00e7\u00e3o ou conglomerado. (Ianni, 2004, p. 112)<\/p><\/blockquote>\n\n\n\n Neste novo contexto, s\u00e3o muitos os desafios que se colocam aos gestores das escolas do s\u00e9culo XXI.<\/p>\n\n\n\n Olhar para o presente com olhos no futuro: isso cabe aos gestores e gestoras, aqueles homens e mulheres que lideram o processo educacional <\/strong>em um cen\u00e1rio de mudan\u00e7as cada vez mais r\u00e1pidas. Por defini\u00e7\u00e3o, l\u00edderes conduzem mudan\u00e7as. As pessoas necessitam de ser desafiadas com objetivos comuns, metas audaciosas.<\/p>\n\n\n\n A escola contempor\u00e2nea, aprendente, necessita de l\u00edderes\/gestores e n\u00e3o de diretores. Pessoas que trabalhem com ousadia e coragem<\/strong>, com planejamentos concebidos com a equipe, com objetivos e metas claras, desafiantes. Que sejam capazes de enfrentar cen\u00e1rios desconhecidos sem perder a vis\u00e3o clara da realidade vivida. Capazes de partilharem ideias e fazerem com que sua equipe acredite nelas, e trabalhe para atingir as metas estabelecidas<\/strong>. <\/p>\n\n\n\n Devem ter firmeza sem perder a capacidade de escutar <\/strong>e ter um olhar diferenciado quanto \u00e0 rotina da escola, de abrir espa\u00e7os objetivos e subjetivos, em que a autoria de pensamento seja poss\u00edvel. Conhecer melhor o processo ensino-aprendizagem, o sujeito aprendente-ensinante e suas modalidades de aprendizagem. De aceitar e dialogar com os diferentes arranjos familiares e assim exercer, com maior seguran\u00e7a, o seu papel. H\u00e1, ainda, de saber ouvir o que os outros n\u00e3o ouvem, identificar o \u201cn\u00e3o dito\u201d, \u201ca trama ideol\u00f3gica que circula na institui\u00e7\u00e3o, como nos casos das quest\u00f5es de g\u00eanero, m\u00eddia, regimentos, livros did\u00e1ticos.<\/p>\n\n\n\n <\/p>\n\n\n\n Consultora Gerencial Pedag\u00f3gica do Axis Instituto. Atuou como professora, coordenadora e diretora pedag\u00f3gica; autora do livro did\u00e1tico de Hist\u00f3ria da rede UNINTER.<\/p>\n\n\n\n Leia o artigo na \u00edntegra!<\/strong> Fotos: Pixabay<\/em><\/p>\n\n\n\n <\/p>\n\n\n\n <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":" (Por Maria das Gra\u00e7as Drumond Andrade) Institui\u00e7\u00f5es educativas: conflitos e quest\u00f5es Vivemos um momento \u00fanico na educa\u00e7\u00e3o. Nunca na hist\u00f3ria […]<\/p>\n
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\n\n\n\nDesafios das lideran\u00e7as<\/strong><\/h2>\n\n\n\n
[Continua]<\/em><\/h3>\n\n\n\n
\n\n\n\nSobre a autora (Maria das Gra\u00e7as Drumond Andrade):<\/em><\/h4>\n\n\n\n
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