{"id":31238,"date":"2022-01-14T14:25:08","date_gmt":"2022-01-14T17:25:08","guid":{"rendered":"https:\/\/www.axisinstituto.com.br\/blog\/?p=31238"},"modified":"2023-02-02T12:02:53","modified_gmt":"2023-02-02T15:02:53","slug":"metricas-use-com-ponderacao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.axisinstituto.com.br\/blog\/metricas-use-com-ponderacao\/","title":{"rendered":"M\u00e9tricas em Institui\u00e7\u00f5es Cat\u00f3licas"},"content":{"rendered":"\t\t
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(Por Dr. Sebasti\u00e3o V. Castro)<\/i><\/strong><\/p>\n <\/p>\n <\/p>\n <\/p>\n <\/p>\n O surgimento de sistemas de gest\u00e3o \u201ccient\u00edfica\u201d[1]<\/a>, a partir do in\u00edcio do s\u00e9culo XX, trouxe \u00e0 tona a utiliza\u00e7\u00e3o de conceitos e ferramentas das ci\u00eancias exatas, notadamente da Matem\u00e1tica e da F\u00edsica, para buscar compreender os fen\u00f4menos administrativos e gerenciais. <\/p>\n <\/p>\n <\/p>\n Ademais, ganhou for\u00e7a, j\u00e1 a partir da revolu\u00e7\u00e3o industrial (s\u00e9c. XIX), a Economia, cada vez mais tomada como suporte inescap\u00e1vel \u00e0 atividade industrial.<\/p>\n <\/p>\n <\/p>\n Conceitos, termos, ideias e ferramentas das ci\u00eancias exatas e econ\u00f4micas foram sendo imputados a e absorvidos pelas ci\u00eancias \u201cpr\u00e1ticas\u201d ou aplicadas, especialmente as engenharias, as ci\u00eancias gerenciais, e tamb\u00e9m as humanas e sociais. <\/p>\n <\/p>\n <\/p>\n Nessa absor\u00e7\u00e3o lenta e inexor\u00e1vel, aspectos ou dimens\u00f5es cl\u00e1ssicas importantes dessas \u00faltimas acabaram por ser minimizados ou esmaecidos, sen\u00e3o totalmente esquecidos, abrindo espa\u00e7o para os conceitos rec\u00e9m-chegados. <\/p>\n <\/p>\n <\/p>\n Referimo-nos, aqui, a facetas das dimens\u00f5es humanas, espirituais, emocionais<\/a>, sociais e pol\u00edticas que, frente \u00e0 press\u00e3o do pensamento econ\u00f4mico, tornado cada vez mais dominante, foram sendo relegados a planos secund\u00e1rios. A pr\u00f3pria validade \u201ccient\u00edfica\u201d dessas facetas passa a ser cada vez mais questionada, exatamente como tentativa de desqualific\u00e1-las e de lhes negar espa\u00e7o, vida e voz.<\/p>\n <\/p>\n <\/p>\n Esta curta reflex\u00e3o busca discutir alguns desses aspectos, a partir da percep\u00e7\u00e3o, pelo autor, da ubiquidade da utiliza\u00e7\u00e3o dos conceitos econ\u00f4micos e suas m\u00e9tricas<\/a>, na avalia\u00e7\u00e3o dos trabalhos desenvolvidos nos espa\u00e7os de miss\u00e3o das Congrega\u00e7\u00f5es<\/b> e da igreja: em suas escolas, universidades, hospitais, residenciais de idosos, obras sociais e par\u00f3quias.<\/p> <\/p>\n <\/p>\n <\/p>\n <\/p>\n O advento da ci\u00eancia econ\u00f4mica[2]<\/a> e sua posterior propaga\u00e7\u00e3o exponencial representam um grande marco para as ci\u00eancias gerenciais e administrativas<\/a>, talvez mesmo um ponto de inflex\u00e3o. Ganhando o territ\u00f3rio dessas \u00faltimas, a Economia<\/a> imiscuiu-se e capilarizou-se em todos os sistemas, organiza\u00e7\u00f5es, institui\u00e7\u00f5es e corpora\u00e7\u00f5es de todos os portes e de todos os segmentos, derrubando barreiras pol\u00edticas e ideol\u00f3gicas. Nesse sentido, a Economia tornou-se transnacional e absolutamente global. <\/p>\n <\/p>\n <\/p>\n As grandes corpora\u00e7\u00f5es privadas talvez tenham sido as primeiras a abra\u00e7arem os conceitos da ci\u00eancia econ\u00f4mica, trazendo-os para o ch\u00e3o de f\u00e1brica e para as mesas dos gestores. Da\u00ed para os ambientes decis\u00f3rios e de elabora\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas p\u00fablicas dos governos foi um pequeno salto. Termos e conceitos econ\u00f4micos como \u201cprodutividade\u201d, \u201cefici\u00eancia\u201d e \u201cefic\u00e1cia\u201d <\/a>passaram a fazer parte do vocabul\u00e1rio cotidiano de administradores, engenheiros e pol\u00edticos. <\/p>\n <\/p>\n <\/p>\n Num efeito cascata, esses e muitos outros conceitos econ\u00f4micos transbordaram para outras organiza\u00e7\u00f5es e \u00e1reas. Por essa porta \u00e9 que chegaram \u00e0s escolas, aos hospitais e sistemas de sa\u00fade como um todo, \u00e0 seguran\u00e7a p\u00fablica, \u00e0s obras sociais, ao meio religioso e \u00e0s igrejas. A economia tornou-se, pode-se dizer, n\u00e3o s\u00f3 ub\u00edqua, mas totalit\u00e1ria.<\/p>\n <\/p>\n <\/p>\n O passo seguinte, em termos de estrat\u00e9gia ideol\u00f3gica<\/b>, consistiu em transformar os conceitos econ\u00f4micos e, j\u00e1 agora, gerenciais, em verdades \u201cnaturais\u201d, como os raios e trov\u00f5es, os ventos, os movimentos das mar\u00e9s. Isso foi feito, primeiramente via ensino, nas academias, que produzem ci\u00eancia, validam e disseminam conceitos e, depois, atrav\u00e9s da grande m\u00eddia, em revistas especializadas e naquelas que \u201ctraduzem\u201d a ci\u00eancia para o grande p\u00fablico. <\/p>\n <\/p>\n <\/p>\n Esse esfor\u00e7o de d\u00e9cadas e s\u00e9culos teve como objetivo fazer com que tais conceitos impregnassem completamente todo o tecido do pensamento humano<\/a>, transmutando-se em senso comum e, portanto, para o cidad\u00e3o m\u00e9dio e para o \u201ct\u00e9cnico\u201d com vernizes de conhecimento cient\u00edfico, se tornasse \u201cVerdade\u201d. <\/p>\n <\/p>\n <\/p>\n Tornando-se paradigm\u00e1ticos, repens\u00e1-los e, eventualmente, mud\u00e1-los, ou mesmo, pensar \u201cfora deles\u201d era, e continua sendo, praticamente uma heresia, al\u00e9m de ser dif\u00edcil tarefa para o cidad\u00e3o comum. <\/p>\n <\/p>\n <\/p>\n Como nos ensina Kuhn[3]<\/a>, a exist\u00eancia de um paradigma pode levar a uma \u201cmiopia de paradigma\u201d<\/a>, em que n\u00e3o se consegue enxergar \u201cfora\u201d do mesmo ou para al\u00e9m dele. Al\u00e9m do mais, a \u201cnaturaliza\u00e7\u00e3o\u201d de conceitos e fen\u00f4menos sociais e humanos \u00e9 uma das mais eficazes estrat\u00e9gias para tornar tais ideias imperme\u00e1veis ao questionamento e \u00e0 mudan\u00e7a. <\/p>\n <\/p>\n <\/p>\n Aqui, vale tamb\u00e9m ressaltar que a Economia, como todas as outras ci\u00eancias, n\u00e3o \u00e9 neutra, nem produzida no v\u00e1cuo. Em outras palavras, a produ\u00e7\u00e3o de ci\u00eancia \u00e9 afetada pelos diversos matizes culturais, sociais, pol\u00edticos e econ\u00f4micos de cada \u00e9poca e lugar. Sistemas pol\u00edticos e econ\u00f4micos dominantes \u201cproduzir\u00e3o\u201d mais ci\u00eancia que lhes d\u00ea suporte e valida\u00e7\u00e3o, e menos ci\u00eancia que os critique e os desnude.<\/p>\n <\/p>\n <\/p>\n <\/p>\n <\/p>\n <\/p>\n <\/p>\n <\/p>\n <\/p>\n Doutor, \u00e1rea de Pol\u00edticas P\u00fablicas; Especialista em Gest\u00e3o de Pessoas nas Organiza\u00e7\u00f5es; Governance, Risk and Compliance<\/em> (Lisboa); Mestre em Meio Ambiente (UFMG); Especialista em Recursos H\u00eddricos (Aston University<\/em>, Inglaterra); Especialista em Gest\u00e3o e Manejo Ambiental (UFLA); Perito Judicial Ambiental; Professor Ex-Diretor de Escolas; Coordenador de Projetos Internacionais de Educa\u00e7\u00e3o; Viagens t\u00e9cnicas (meio ambiente e educa\u00e7\u00e3o) a mais de 30 pa\u00edses; Consultor, h\u00e1 mais de 20 anos, nas \u00e1reas de Gest\u00e3o e Educa\u00e7\u00e3o, para mais de uma centena de escolas e IES cat\u00f3licas. Autor de \u201cGest\u00e3o de Pessoas em Institui\u00e7\u00f5es Confessionais\u201d e \u201cPerda de Alunos nas Escolas Cat\u00f3licas\u201d<\/a>.<\/p>\n <\/p>\n <\/p>\n <\/p>\n <\/p>\n <\/p>\n <\/p>\n<\/div>\n <\/p>\n <\/p>\n <\/p>\n <\/p>\n [1]<\/a> Lan\u00e7amento, por Frederick Taylor, em 1911, de \u201cPrinc\u00edpios da gest\u00e3o cient\u00edfica\u201d.<\/em><\/p>\n <\/p>\n <\/p>\n [2]<\/a> Considera-se \u201csurgimento\u201d da economia como ci\u00eancia o lan\u00e7amento, por Adam Smith, da obra: \u201c”Uma investiga\u00e7\u00e3o sobre a natureza e a causa da riqueza das na\u00e7\u00f5es<\/a>“, em 1776 (Barber, 1967)<\/em><\/p>\n <\/p>\n <\/p>\nIntrodu\u00e7\u00e3o<\/strong><\/h3>\n
<\/p>\nA escalada do pensamento econ\u00f4mico e sua rela\u00e7\u00e3o com outras ci\u00eancias<\/strong><\/h3>
<\/strong><\/div>\n[Continua]<\/i><\/strong><\/h4>\n
\nSobre o autor (Sebasti\u00e3o Castro, Dr.):<\/i><\/h3>\n
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